Blog · 03/09/2026
Assistente Técnico em Disputa de Guarda Envolvendo Exposição Digital da Criança (Sharenting)
TL;DR: Quando um dos genitores expõe a criança extensivamente em redes sociais — os chamados "sharenting" —, o assistente técnico avalia se essa exposição representa risco concreto ao desenvolvimento e à privacidade da criança, elemento cada vez mais relevante em disputas de guarda contemporâneas.
O fenômeno do sharenting como questão técnica emergente
Sharenting — a prática de compartilhar extensivamente conteúdo sobre os filhos em redes sociais — tornou-se questão técnica relevante em disputas de guarda, à medida que a literatura sobre privacidade infantil e desenvolvimento identitário digital avança. O assistente técnico examina se essa exposição, quando alegada como problemática, representa risco real ao bem-estar da criança.
O que o assistente técnico examina nesses casos
- O volume e a natureza do conteúdo compartilhado, distinguindo exposição pontual de padrão sistemático e extensivo.
- Se o conteúdo compartilhado inclui informações sensíveis (localização, rotina, dados que possam comprometer segurança) ou imagens que a criança, ao crescer, poderia considerar constrangedoras ou invasivas.
- A reação da própria criança à exposição, quando idade e maturidade permitirem colher essa percepção.
- Se há monetização da imagem da criança, o que traz camada adicional de complexidade técnica e, em muitos lugares, também jurídica.
A diferença entre compartilhamento comum e exposição problemática
É importante que o assistente técnico não trate qualquer presença de fotos dos filhos nas redes sociais dos pais como automaticamente problemática — essa é prática social amplamente disseminada. O que exige atenção técnica é o padrão excessivo, a exposição de conteúdo sensível ou constrangedor, ou a monetização sistemática da imagem da criança sem consideração por seu bem-estar futuro.
O direito da criança à própria imagem como referência técnica
A literatura contemporânea sobre desenvolvimento infantil no ambiente digital reconhece a importância de preservar o direito da criança sobre sua própria narrativa e imagem, à medida que cresce e desenvolve consciência sobre sua presença online — construída, muitas vezes, sem seu consentimento nos primeiros anos de vida.
Tabela-resumo: o que diferencia exposição comum de problemática
| Padrão observado | Relevância técnica |
|---|---|
| Compartilhamento pontual, moderado | Prática social comum, baixa relevância técnica isolada |
| Exposição sistemática e extensiva | Merece exame técnico sobre impacto no desenvolvimento |
| Conteúdo sensível ou potencialmente constrangedor | Elemento de atenção técnica relevante |
| Monetização sistemática da imagem infantil | Camada adicional de complexidade a examinar |
Perguntas frequentes
1. Qualquer foto dos filhos nas redes sociais é motivo de preocupação técnica?
Não — apenas padrões excessivos, conteúdo sensível ou monetização sistemática merecem atenção técnica específica.
2. O assistente técnico pode recomendar restrições ao compartilhamento pelo outro genitor?
Sim, quando fundamentado tecnicamente em risco real identificado, pode fundamentar esse tipo de pedido.
3. A criança pode se opor à exposição feita por um dos pais?
Sua percepção, quando expressável, é elemento técnico relevante a ser considerado na avaliação.
4. Monetização da imagem da criança é sempre problemática?
Exige análise cuidadosa sobre proteção do bem-estar da criança e eventual regulamentação aplicável ao caso.
5. Esse tema já é amplamente discutido na literatura técnica?
É área em desenvolvimento, exigindo atualização contínua do profissional que atua nesse tipo de caso.
Autor: Robison de Souza Alves Pereira — Perito em Psicologia Forense, CRP 06/156275, Perito TJSP nº 66.627.
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